
O balanço do ano fiscal da Nintendo – que teve início em abril de 2012 e terminou em março deste ano – mostrou que a empresa fechou o período com lucro de US$ 71,3 milhões. O dado recolocou a companhia no azul, uma vez que no ano fiscal passado, havia registrado seu primeiro prejuízo da história.
Vamos a alguns números. O Wii U vendeu 3,45 milhões de unidades desde seu lançamento em novembro de 2012, mas o desempenho do novo console foi pífio nos primeiros anos de 2012. De janeiro a março, foram 200 mil plataformas vendidas nos EUA, 90 mil no Japão e 110 mil no resto do mundo.

Quanto aos jogos, foram 13,4 milhões de unidades vendidas até março, sendo 2,6 milhões delas cópias de Nintendo Land e 2,15 milhões discos de New Super Mario Bros. U.
O 3DS é o que tem carregado a japonesa nas costas. Foram mais de 31 milhões de portáteis vendidos no mundo todo, além de mais de 95 milhões de games.

A previsão da Nintendo, porém, é otimista. A empresa acredita que vai vender 9 milhões de unidades do Wii U e 18 milhões de portáteis 3DS no próximo ano fiscal – meta audaciosa, contando o desempenho ruim do seu console doméstico até aqui.
A estratégia para isso foi delineada no próprio relatório fiscal, segundo o qual a companhia, surpreendentemente, não fará uma conferência na E3 deste ano. O primeiro passo será se concentrar no lançamento de jogos da casa no segundo semestre de 2013, o que já dá a dica do que a Nintendo deve apresentar – um novo título de Mario, um novo Mario Kart, Pikmin 3 e dois games da série Zelda. Ter poucos games de seus personagens famosos é um dos motivos que a empresa considera ter atrapalhado as vendas do Wii U.

O plano também é utilizar o próprio sistema Miiverse, do Wii U, para comunicar o que o console é capaz de fazer, tanto sobre jogos quando sobre as funções de conectividade. Além disso, a Nintendo quer reduzir os custos de produção da plataforma.
Aparentemente mudanças estruturais acontecerão. A primeira deles envolve o chefão da empresa, Satoru Iwata, que passa a acumular as funções de presidente da Nintendo japonesa e de CEO da Nintendo of America. A mudança ocorreu para que a companhia alinhe sua estratégia nos seus dois principais mercados e aumente sua “agilidade organizacional no atual ambiente competitivo”.
A Nintendo deve enfrentar um ano duro pela frente com suas duas concorrentes – Microsoft e Sony – lançando seus novos consoles no mercado. Mas se a empresa quer recuperar a participação de mercado e, principalmente, a influência que teve nos mais de 30 anos de história da indústria dos games, o caminho a ser percorrido é justamente o de apostar em seus carros-chefes. Mais que isso, precisa trabalhar em conjunto com outras publisher e desenvolvedoras para atrair grandes franquias para seu console e não repetir os erros cometidos no final do ciclo de vida do Wii.

O Wii U tem um potencial incrível, tanto do ponto de vista da inovação quanto da capacidade do hardware. O que a empresa precisa é aproveitar essa força e oferecer o que o jogador está procurando, que são jogos de qualidade, dentre os quais as grandes franquias da Nintendo. Enquanto o 3DS segura as pontas, há tempo para planejar esses detalhes para bater de frente com suas rivais e surpreender, como sempre fez.
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